INJEÇÃO DE COLESTEROL BOM

Estudo publicado em revista científica americana abre novo caminho para o tratamento das doenças cardíacas. Injeções do chamado colesterol bom aplicadas experimentalmente em pacientes que apresentavam artérias bloqueadas mostraram-se eficazes em desobstruir os vasos sangüíneos. Os pacientes com problemas cardíacos receberam uma versão especial da lipoproteína de alta densidade (HDL, na sigla em inglês), o chamado bom colesterol. De acordo com os médicos, a terapia reduziu os depósitos de gordura nas artérias em apenas seis semanas.

O estudo foi publicado na revista “Journal of the American Medical Association” e, segundo seus autores, pode levar ao desenvolvimento de um novo tratamento para doenças cardíacas. O HDL usado na pesquisa foi baseado em uma variante natural do colesterol bom encontrada numa pequena cidade do norte da Itália. Na década de 80, cientistas constataram que 40 habitantes da pequena comunidade de Limone Sul Garda praticamente não apresentavam problemas cardíacos, embora tivessem níveis baixos de HDL. Descobriu-se que eles apresentavam uma mutação na principal proteína envolvida na formação do colesterol bom, o que potencializaria seus efeitos. No novo estudo, coordenado pelo cardiologista Steven Nissen, 36 pacientes que haviam sofrido um ataque cardíaco ou tinham angina receberam injeções de uma versão sintética da proteína descoberta na Itália.

Outros 11 pacientes receberam placebo. Os médicos constataram que os depósitos de gordura haviam sido reduzidos em até 4% naqueles que receberam a proteína. “Pode parecer pouco, mas é um resultado bastante significativo, pois a terapia foi usada em um curto período de tempo”, comenta o cardiologista Raul Santos, médico da unidade clínica de dislipidemia do Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas.

De acordo com o especialista, vários estudos anteriores, realizados em ratos, tinham comprovado a ação da injeção de HDL sintético. “Ainda não dá para afirmar com esse estudo que as pessoas vão enfartar menos ou morrer menos de doenças cardíacas com o tratamento à base da injeção”, diz Santos. “Mas, se os resultados continuarem nessa linha, possivelmente teremos um novo e interessante tratamento para a aterosclerose”, completa.

Atualmente, o tratamento mais usado para reduzir a quantidade do mau colesterol (LDL) responsável pelas placas de gordura são as estatinas. De acordo com Santos, o HDL ajuda a retirar essa gordura acumulada nas artérias, levando-a para o fígado, onde é eliminada. “O baixo nível de HDL no sangue pode ser causado por excesso de peso, diabetes, fumo ou alta quantidade de triglicérides”, explica o cardiologista. Segundo Santos, a indústria farmacêutica vem tentando há anos desenvolver remédios capazes de aumentar o nível de HDL. “Acho que até 2005 teremos novidades”, conclui. (Fonte: Diário de São Paulo)

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© Geraldo de Azevedo