VIVENDO NO LIMITE
Vivendo no Limite

limites entre a vida e a morte diariamente? Martin Scorsese mergulhou no mundo dos paramédicos novaiorquinos e esquadrinhou a vida cotidiana de homens e mulheres que enfrentam, cara a cara, o desespero de pessoas à beira da morte. O filme é estrelado por Nicolas Cage (Cidade dos Anjos), no papel do paramédico Frank Pierce, que, aos poucos, veio sucumbindo diante do peso de anos e anos salvando e perdendo vidas.
A história acompanha a vida de Frank durante dois dias e três noites de plantão, mostrando paralelamente a angústia, a culpa, a alternância de sentimentos em questões de minutos e toda carga emocional que disso resulta e que, inevitavelmente, conduz Frank a um colapso espiritual.

Se fosse um pintor, Scorsese teria rotulado “fase negra”, nessa sua obra baseada no livro biográfico do paramédico nova-iorquino Joe Connelly. Mas, muito mais que um filme obscuro, de uma fase de mudança radical, é uma grande homenagem ao próprio cineasta, que se utiliza de técnicas que o tornaram um nome dentro da história do cinema. Aqui ele faz do uso da luz como se fosse um ator. Isso fica evidente na cena em que o traficante fica preso ao alambrado da cobertura do prédio. Dois muçulmanos usam refletores para iluminar a cena. Sem contar as cenas externas e noturnas em que a personagem de Nicolas Cage aparece “iluminado” por uma luz branca.

Algumas tomadas lembram Depois de Horas (1985), principalmente o clima sombrio da trama e a madrugada de NY. Em outros momentos seu segmento na película Contos de Nova Iorque (1989), ou ainda Taxi Driver (1976).
Nicolas Cage é Frank Pierce, um paramédico da cidade de New York que passa por momentos difíceis devido a uma jovem que não conseguiu salvar. Implorando para ser despedido, coisa que ta longe de acontecer, Pierce acaba salvando a vida de um idoso, graças a Sinatra, e sua insistência em trazê-lo de volta de uma parada cardíaca. Frank acaba se atraindo pela filha do moribundo, Mary (Patricia Arquette), uma ex-viciada perdida na vida.

Martin Scorsese, como de hábito na sua filmografia, faz uma participação especial como o responsável por passar as informações aos paramédicos pelo rádio, com sua inconfundível voz rápida.

Ao som de T.B. Sheets, do gênio irlandês Van Morrison, uma música carregada da melancolia de Bringing Out the Dead, também de uma “fase negra”, se é que podemos chamar assim, do cantor, o filme é anunciado ao melhor estilo scorsesiano. O título brasileiro é de uma incompetência bem criativa.

ELENCO
Nicolas Cage...
Patricia Arquette...
John Goodman...
Ving Rhames...
Tom Sizemore...
Marc Anthony...
Mary Beth Hurt...
Cliff Curtis...
Nestor Serrano...
Aida Turturro...
Sonja Sohn...
Cynthia Roman...
Afemo Omilami...
Cullen O. Johnson...
Arthur J. Nascarella...

Frank Pierce
Mary Burke
Larry
Marcus
Tom Wolls
Noel
Nurse Constance
Cy Coates
Dr. Hazmat
Nurse Crupp
Kanita
Rose
Griss
Mr. Burke
Captain Barney

Original: Bringing Out the Dead
Gênero: Drama
Origem/Ano: EUA/1999
Duração: 120 min
Direção: Martin Scorsese
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