Antes
_ que as massas planetárias, houvessem atingido um grau
de resfriamento bastante a lhes operar o solidificação,
massas menores, verdadeiros glóbulos líquidos, se desprenderam
de algumas no plano equatorial, plano em que é maior a força
centrífuga, e, por efeito das mesmas leis, adquiriram um
movimento de translação em torno do planeta que as gerou,
como sucedeu a estes com relação ao astro central que lhes
deu origem.
Foi assim
que a Terra deu nascimento à Lua, cuja massa, menos considerável,
teve que sofrer um resfriamento mais rápido. Ora, as leis
e as forças que presidiram ao fato de ela se destacar do
equador terreno, e o seu movimento de translação no mesmo
plano, agiram de tal sorte que esse mundo, em vez de revestir
a forma esferoidal, tomou a de um globo ovóide, isto é,
a forma alongada de um ovo, com o centro de gravidade fixado
na parte inferior.
As condições
em que se efetuou a desagregação da Lua pouco lhe permitiram
afastar-se da Terra e a constrangeram a conservar-se perpetuamente
suspensa no seu firmamento, como uma figura ovóide cujas
partes mais pesadas formaram a face inferior voltada para
a Terra e cujas partes menos densas lhe constituíram o vértice,
se com essa palavra se designar a face que, do lado oposto
à Terra, se eleva para o céu.
É o que faz que esse astro
nos apresente sempre a mesma face. Para melhor compreender-se
o seu estado geológico, pode ele ser comparado a um globo
de cortiça, tendo formada de chumbo a face voltada para
a Terra.
Daí, duas
naturezas essencialmente distintas na, superfície do mundo
lunar: uma, sem qualquer analogia com o nosso, porquanto
lhe são desconhecidos os corpos fluidos e etéreos; a outra,
leve, relativamente à Terra, pois que todas as substâncias
menos densas se encaminharam para esse hemisfério.
A primeira,
perpetuamente voltada para a Terra, sem águas e sem atmosfera,
a não que ser,aqui e ali,nos limites desse hemisfério sub-terrestre;
a outra, rica em fluidos,perpetuamente oposta ao nosso mundo.
O número
e o estado dos satélites de cada planeta ter variado de
acordo com as condições especiais em que eles se formaram.
Alguns não deram origem a nenhum astro secundário, como
se verifica com Mercúrio, Vênus e Marte ( 2 ) , ao passo
que outros, como a Terra, Júpiter, Saturno, etc., formaram
um ou vários desses astros secundários.
Além de
seus satélites ou luas, o planeta Saturno apresenta o fenômeno
especial do anel que, visto de longe, parece cercá-lo de
uma como auréola branca. Esse anel é, com efeito, o resultado
de uma separação que se operou no equador de Saturno, ainda
nos tempos primitivos, do mesmo modo que uma zona equatorial
se escapou da Terra para formar o seu satélite.
A diferença
consiste em que o anel de Saturno se formou, em todas as
suas partes, de moléculas homogêneas, provavelmente já em
certo estado de condensação, e pode, dessa maneira, continuar
o seu movimento de rotação no mesmo sentido e em tempo quase
igual ao do que anima o planeta.
Se um
dos pontos desse anel houvesse ficado mais denso do que
outro, uma ou muitas aglomerações de substância se teriam
subitamente operado e Saturno contaria muitos satélites
a mais. Desde a época da sua formação, esse anel se solidificou,
do mesmo modo que os outros corpos planetários.